Aspectos Sociológicos e Psicológicos da Violência
O que seria violência?
Conceito usual de violência
Tipos de violência:
E a não-violência?
De modo geral, a violência tem quase sempre resultados negativos e por causa disso, nos acostumamos com a noção de que para sermos pacíficos temos sempre que evitar conflitos, ser passivo, " dar a outra face", etc., Com isso, entendemos qualquer atitude mais contundente ou enérgica como um ato de violência.
Para ampliar um pouco nosso entendimento sobre cultura da paz, é necessário elucidar o conceito de não violência, que carrega a noção de não passividade e das soluções pacíficas na resolução de conflitos. A não-violência não nega ou reprime os conflitos, pois os entende como parte natural de nossas vidas. Não há como negar sua existência.
O termo não violência significa o uso da não-violência em qualquer esfera de nossas vidas: física, verbal ou mental, busca o fortalecimento pessoal e social e não a negação da raiva ou de qualquer outro sentimento. A não-violência visa canalizar energia (agressividade) para coisas construtivas, que garantam o respeito entre os indivíduos.
No entanto, por mais paradoxal que pareça, uma sociedade para ser pacífica e não violenta, sempre se utiliza de métodos que podem ser facilmente sentidos como violentos pelos indivíduos que os sofrem.
A educação é um exemplo disso. Os indivíduos que estão passando pelo processo educativo e de socialização sentem que estão sendo privados de seus direitos de fazerem o que querem na hora que querem e isso é bastante sentido como algo violento, que coíbe, que cerceia. Mas sem essas restrições a sociedade certamente estaria ameaçada e a não-violência seria impossível. Esses processos educativos e socializadores, apesar de imprescindíveis aos seres humanos podem ter resultados ruins quando mal administrados ou quando se abusa dos recursos disponíveis na sociedade para sua efetivação.
Os efeitos são bons e legítimos quando servem para organizar, impor limites, educar, possibilitar o convívio em sociedade. Segundo Norbert Elias (1999), "para que os indivíduos consigam de adequar às sociedades mais complexas é necessário um grande esforço, para além do autocontrole consciente. Assim, a própria sociedade acaba por criar uma espécie de coerção que visa prevenir transgressões do comportamento socialmente aceitável, através do medo, do hábito..., da lei." A Educação é vista como algo bom, no entanto usa de vários recursos sentidos como violentos para ser efetiva: coerção, imposição, restrição, etc.
A educação e a socialização diminuem a emergência da violência no comportamento humano, que usualmente é minimizada em prol da preservação da espécie. Os processos coercitivos adotados pela sociedade (educação, religião), bem como já falou ELIAS, são responsáveis por reprimir muitas das atitudes violentas dos seres humanos (pedir exemplos: perguntar que tipo de violência seriam capazes de cometer se não houvesse nenhum tipo de restrição)
Dar exemplos: homicídio, mutilações, etc
Mas os efeitos da socialização podem também ser ruins quando desagregam, corroem, geram mais violência, excluem, enfraquecem, fragilizam, humilham, etc... (pedir para turma dar exemplos)
Agressividade x Violência
Quais as causas da violência?
Ela pode ter várias causas, vamos nos ater aqui, à algumas causas psicológicas e sociológicas.
Psicológicas
Privações de afeto e perdas. Segundo Winnicott, podem obstruir os processos de socialização, problemas durante o desenvolvimento e na formação das estruturas de personalidade, humilhações e frustrações, severas ou não dependendo da pessoa, busca da autoridade (alguém ou algo que coloque limites), excesso de rigor e autoritarismo, restrição das possibilidades de diálogo e negociação, enfraquecimento do processo de identificação, que faz com que você enxergue o outro como igual, com os mesmos direitos e necessidades e enfraquecimento da alteridade, que faz com que você enxergue o outro como diferente de você e com necessidades diferentes das suas.
Dar exemplos e sempre que possível relacionar com a realidade escolar.
Sociológicas
Preconceitos de gênero, raça, crença, crenças fundamentalista, desigualdade social e má distribuição de renda, exclusão social, processos de opressão das massas, falta de coesão social (Para Durkheim, os indicadores do índice de coesão social são o suicídio, o crime e as toxicomanias.
Para ele, é bom que os atos que ofendem as regras de convívio social não sejam tolerados, pois esses atos afrouxam o elo social.), processos culturais que intensificam o individualismo, a crise moral (moral aqui não tem a ver com certo ou errado mas com coesão social) e de autoridade das instituições responsáveis pelo controle social: escola, tribunais, prisões, etc., impunidade, discriminação, corrupção, tratamento discriminatório da população mais pobres, interesses políticos e econômicos (ex: guerra dos EUA x Iraque), entre outros.
BIOLOGICISMO
("pau que nasce torto morre torto" ou "o que é bom já nasce feito")
Há ainda, correntes, mesmo dentro das Ciências Humanas que atribuem comportamentos violentos à causas genéticas (hormônios, formações cerebrais diferenciadas, etc...) ou atávicas, como é o caso de KONRAD LORENZ, DESMOND MORRIS, ROBERT ARDREY, ETC.
Segundo ASHLEY MONTANGU, as medidas que buscam soluções dependem da posição adotamos frente à questão da violência (genética ou adquirida pela cultura).
As diferenças vão aparecer em atitudes e práticas que ocorrem no dia-a-dia das pessoas, na forma como são tratadas na escola, na vida familiar, nos tribunais, nas prisões, nos serviços sociais de todos os tipos, nos esforços para equilibrar populações e recursos.
Se somos violentos por natureza, estamos perdendo um tempo precioso tentando ensinar as pessoas a pensar, a relativizar, buscando reabilitar criminosos, ajudando quem tem dificuldades, querendo melhorar a saúde mental dos seres humanos.
Deveríamos pensar em formas de descarregar a violência, canalizá-la.
E na escola:
Primeiramente, é necessário entender que a escola não é uma cápsula isolada e protegida da sociedade e todas as questões relacionadas com a violência que falamos até aqui valem para a escola também.
Ao contrário do que se pensa, a violência na escola não pode ser avaliada por casos isolados de alunos e profissionais com problemas mais sérios de comportamento, que envolvam questões familiares e de desenvolvimento. Abordaremos aqui questões mais relativas à violência corriqueira e cotidiana do ambiente escolar.
Pesquisas realizadas pelo PNV nas escolas por ele atendidas têm mostrado que a grande maioria dos alunos e profissionais não são habitualmente violentos e nem tampouco convivem em um ambiente desestruturado ou violento. No entanto, muitas vezes acabam manifestando algumas atitudes violentas na escola. O que acontece na escola que favorece ou propicia comportamentos violentos?
Estudiosos do tema apontam a escola como um local complexo, palco de várias mudanças sociais e muitas vezes confuso acerca de seu papel. Em meio a tudo isso, aparecem situações que quando não causam a violência, agravam o problema. Podemos apontar alguns mais freqüentes:
Tudo isso acaba gerando:
Possíveis soluções
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Joyce K. Pescarolo
Psicóloga
Equipe operacional PNV
www.naoviolencia.org.br
