Processos de Mudança: Um desafio constante
Por que mudar? Como mudar?
Sentar em um lugar diferente do qual temos o hábito de nos sentar na sala de aula. Cruzar os braços colocando o braço esquerdo por cima quando naturalmente colocaríamos o direito. Ir morar em uma casa nova, em um bairro novo, em uma cidade nova. Mudar de escola. Dar aula para uma série com a qual não estamos habituados. Reagir diante de uma pessoa que sempre nos cumprimenta e hoje passou por nós sem nem dar um leve sorriso. Sair de sapatos novos. Ter um colega novo dividindo o apartamento conosco. Educar os filhos... Se você por acaso já viveu algumas dessas situações e parou, neste momento, para lembrar de suas impressões, pensamentos, sensações, emoções, o que chama mais a sua atenção?
Todas as situações acima relacionadas possuem pelo menos um aspecto essencial em comum: mudança. A lembrança de situações de mudança pelas quais passamos ao longo de nossa vida – mudanças no nosso corpo, da nossa visão de mundo, das nossas relações em família, nas nossas amizades, do nosso próprio conceito de identidade, na nossa forma de aprender, na forma como nos relacionamos com outras pessoas, no nosso jeito de trabalhar, na forma como lidamos com problemas e perdas, e em tantos outros aspectos fundamentais da nossa vida – podem despertar em nós tanto sentimentos positivos como negativos. Contudo, se conseguimos nos imaginar nos momentos críticos de mudança, isto é, nos momentos em que era necessário abandonar hábitos e automatismo que nos traziam segurança e conforto no desempenho de nossas atividades, provavelmente iremos nos lembrar de algum tipo de sensação de desconforto (dúvida, ansiedade, mal estar, medo, frustração, raiva, entre outras).
"Para que ocorra mudança nas pessoas, faz-se mister que haja algum desequilíbrio ou crise interna que propicie alteração de percepções e introdução de novas idéias, sentimentos, atitudes, comportamentos. Essa fase inicial é chamada tecnicamente de descongelamento, representando certo grau de desestruturação, dúvida das certezas anteriores, ansiedade e motivação para examinar o novo, o diferente, o contraditório" (MOSCOVICI, 2001, P.158) . Segundo a autora, o descongelamento corresponde à primeira etapa do processo de mudança, visto que, ao longo de nossas experiências e aprendizagem formamos hábitos e automatismo – inclusive na nossa forma de perceber o mundo, fazendo com que tenhamos uma tendência a ver as situações sempre sob um mesmo ângulo determinado – que, apesar de fundamentais para a nossa sobrevivência, devem ser passíveis de revisão. Uma criança, por exemplo, que percebia seus pais até então como "super heróis", aos poucos passa a perceber neles atitudes que não correspondem a essa imagem idealizada que ela tinha, e essa mudança de percepção provavelmente provocará nela mudanças de atitudes, sentimentos e comportamentos em relação a eles – ela pode passar, por exemplo, a questionar suas ordens, a confrontar suas opiniões, a não pedir com tanta frequência seus conselhos e seu apoio, a afastar-se um pouco deles.
Assim como esta criança, podemos colocar em xeque a imagem que fazemos de nossos pais, de outras pessoas que admiramos e de nós mesmos. Podemos questionar as regras sociais, as nossas condições de trabalho, a forma como nos relacionamos com os outros, os meios de que nos utilizamos para sermos respeitados, o nosso estilo de vida, e tantas outras escolhas que vamos fazendo ao longo de nossa vida – algumas delas de forma menos consciente do que outras, mas ainda assim são escolhas nossas. De acordo com MOSCOVICI (2001, p.158), "pode-se alcançar este estágio através de comunicação, questionamento, introdução de novas informações e idéias que provocam surpresa, dúvida, insatisfação, questionamento, interesse em continuar pensando no assunto, levando à sensibilização e à conscientização de problemas e da necessidade de algumas mudanças para resolver os problemas identificados".
A segunda etapa do processo de mudança "[...] consiste na decisão pela mudança e sua implementação, pela aprendizagem de novos padrões de percepção, conhecimentos, atitudes a ações. É um período de incorporação de novas formas de abordar os problemas e de resolvê-los, passando a exteriorizar novas opiniões e comportamentos" (MOSCOVICI, 2001, p.158). Se pensarmos que mudança implica, em um primeiro momento, no questionamento de estilos de percepção, crenças, atitudes e comportamentos já cristalizados, fica fácil compreender o papel crucial da aprendizagem nesta segunda fase do processo de mudança. Um adulto , por exemplo, que aprendeu que educação e bom comportamento significa acatar a opinião dos mais velhos sem questionar – mas que começa a ter dúvidas a respeito desta crença – precisa encontrar novos significados sobre o que considera educação, bom comportamento, diferenças de opinião, ser jovem e ser adulto, respeito, autoridade. Ou um jovem, que começa a questionar o uso da força física como principal meio de resolver problemas, precisa aprender e fortalecer estratégias alternativas para lidar de forma eficiente com as situações-problema com que se depara. Segundo MOSCOVICI (2001, p.158):
Não se trata, porém, de justaposição com as aprendizagens anteriores, muitas vezes até incompatíveis, e sim de um processo de ajustamento e integração entre o já existente e o novo. Esse ajustamento significa que a mudança não é total. Não se joga fora aquilo que foi operacionalizado anteriormente. Substituem-se alguns aspectos considerados inadequados por outros, mais apropriados, de recente aquisição intelectual e emocional. A substituição tampouco quer dizer mera troca de uma peça por outra, como se faz nos equipamentos mecânicos. A etapa de incorporação, portanto, compreende um processamento interno que significa transformação do conjunto como um todo (a gestalt em termos psicológicos), e não simplesmente acréscimos, retiradas ou substituições isoladas, de maneira mecanicista.
Muitas vezes, quando nos vemos diante da necessidade de uma mudança, tendemos a desejar que fosse possível "recomeçar tudo do zero", ou seja, que pudéssemos nos desfazer de todas as nossas experiências anteriores – que passamos a enxergar como "problema" – e trocá-las por novas – que tendemos a considerar como "soluções definitivas". Quem já não desejou ser outra pessoa? Ter uma profissão completamente diferente? Mudar de cidade ou de país? Ter nascido em outra família? Ter casado com outra pessoa? Dar aula para outra turma ou em outro colégio? Em diferentes momento da nossa vida, em função de nosso estado e das circunstâncias em que nos encontramos, podemos acreditar que a mudança só será possível e eficaz se trocarmos "o velho pelo novo". Entretanto, desfazermo-nos de toda nossa história de vida, de nossa herança genética, de nossa personalidade é algo impossível (e não necessariamente descartaria a necessidade de novas mudanças!).
O que é possível são as pequenas mudanças, adaptações, aprimoramentos, pequenas substituições e exclusões... pequenas e contínuas mudanças que permitem, ao longo do processo, mudanças significativas do todo (da nossa forma de perceber, de pensar, de sentir e de agir – em relação a nós e aos outros).
A terceira e última etapa do processo de mudança, segundo MOSCOVICI (2001, p.158) é a "[...] fase de estabilização ou congelamento, em que se restabelece o equilíbrio após a transição da mudança". Da mesma forma como nos foi necessária a prática e a repetição para adquirirmos nossos antigos hábitos e automatismos, o exercício continuado dos recentes padrões de conduta é imprescindível para que, aos poucos, a nova estrutura prevaleça sobre a anterior.
Portanto, não se deve esperar mudanças bruscas, definitivas e imediatas. Uma turma de alunos que não teve oportunidades para desenvolver auto-controle, por exemplo, não vai ser capaz de respeitar regras de uma hora para outra. Para que ela desenvolva essa habilidade, é necessário que ela possa passar pelas três etapas do processo de mudança:
(a) descongelamento – sensibilização e conscientização dos problemas consequentes da sua atual forma de agir, e da necessidade de algumas mudanças para resolver os problemas identificados. Este movimento pode ser provocado por estímulos externos, tais como questionamentos colocados por professores;
(b) incorporação de novas formas de abordar o problema – por isso, ao invés de se dizer o que estes alunos não devem fazer, pode ser mais produtivo ser um modelo de como se pode fazer, sem, contudo, ter a expectativa que a turma toda passe a agir da mesma forma e no mesmo ritmo, visto que cada indivíduo presente naquele espaço possui sua própria história de vida e características;
(c) congelamento – e neste ponto é importante salientar que o esforço necessário para manter as mudanças tendem a ser maiores no início, visto que os antigos hábitos ainda são muito mais fortes e cristalizados.
Alguns obstáculos previsíveis...
Discutimos até aqui as etapas que constituem o processo de mudança e da tendência do ser humano em sentir um certo desconforto quando se vê diante da necessidade de transformação. Provavelmente, enquanto lia este texto, muitas idéias e lembranças foram surgindo em sua mente, a respeito de como você e algumas pessoas que você conhece reagem em situação de mudança. Em alguma dessas situações a impressão que você pode ter tido é que algumas das reações mais frequentes são "não querer saber do problema", "não querer ouvir", "culpar outros pela situação", "afirmar que não adianta, que não vale a pena", "irritabilidade", "ansiedade", "insônia", "ironia", "oposição à mudança"? Não se preocupe! Todas essas reações (para citar apenas algumas!) expressam a nossa tendência a resistir a mudanças.
De acordo com MOSCOVICI (2001, p.159), "toda mudança provoca resistência. Em geral, as pessoas sentem medo do novo, do desconhecido, do que não lhes é familiar. A percepção vem acompanhada de um sentimento de ameaça à situação já organizada e segura da pessoa. A ameaça contida na percepção da mudança pode ser real ou imaginária, mas os seus efeitos são bem reais e concretos em manifestações fisiológicas, psicológicas e sociais variadas".
Tomemos como exemplo uma criança ou jovem em seu primeiro dia de aula em uma escola nova (quem de nós nunca passou por uma situação como essa!): inúmeras idéias a respeito de como serão seus colegas, seus professores, se as pessoas vão gostar dele(a), se vai conseguir fazer novos amigos, se vai conseguir encontrar sua 'turma", se vai acompanhar as aulas, se não vai se perder... todas essas são incertezas que podem despertar uma série de outros pensamentos e antecipações que vão contribuir para que esta criança ou jovem tenha apresente manifestações como brigar com os pais porque não quer ir para a escola nova, ficar com dor de cabeça ou dor de barriga (ou ambos!), chorar, ficar calado ao chegar na escola, isolar-se, "ficar na defensiva", entre outros. É importante frisar que este fenômeno de "resistência à mudança" não acontece unicamente com os mais jovens.
Adultos também tendem a apresentar reações de resistência quando, por exemplo, precisam mudar de função, quando lhes são apresentadas novas idéias, quando precisa alterar sua rotina, quando precisa modificar sua forma de se relacionar (seja na família, entre amigos ou no trabalho), para citar apenas algumas situações.
Os sinais e as reações de resistência à mudança podem ter uma duração variada, desde a mais breve (por exemplo, um motorista pode ficar momentaneamente irritado porque há algum obstáculo que o impede de seguir o seu trajeto habitual) ou à mais longa (um funcionário pode agir de forma a sabotar o trabalho realizado por sua equipe durante meses, porque não concorda com as novas diretrizes estabelecidas pelo grupo). "Do ponto de vista psicológico, a resistência à mudança é uma reação normal, natural e sadia, desde que represente um período transitório de tentativas de adaptação, em que a pessoa busque recursos para enfrentar e lidar com o desafio de uma situação diferente. [...] A resistência à mudança é, portanto, uma fase inicial prevista em qualquer programa de mudança planejada" (MOSCOVICI, 1999, p.160).
Boas notícias: o que inicialmente parecia um obstáculo pode se tornar oportunidade!
Desde o início deste texto, ao comentarmos o processo de mudança e a nossa tendência a resistir, citamos como componente inicial deste processo o sentimento de "mal-estar". A maioria de nós não teria dificuldades em afirmar que, se fosse possível, extinguiria este tipo de sentimento do seu repertório (afinal de contas, buscamos continuamente nos sentir bem e evitar a dor, certo?). Em função disto, muitos de nós, em um momento ou outro, tentou evitar ou negar este mal-estar.
Voltando ao nosso exemplo da criança ou jovem, no seu primeiro dia de aula em sua nova escola. Ele(a) pode estar tomado por um sentimento de rejeição (e lembrem-se: não importa se esta ameaça é real ou é imaginária, pois para a pessoa que se sente ameaçada, o sentimento é real!), e, para evitar o medo de ser rejeitado, pode manter-se longe dos colegas (paradoxal, não é?).
Ou então, pode tentar negar esse sentimento, fazendo de conta que não está se sentindo mal, quando na verdade, provavelmente não consegue parar de pensar na ameaça da rejeição, não consegue mudar o seu foco, e este sentimento torna-se cada vez mais intenso. Portanto, independentemente da situação que estejamos vivendo, tentar evitar ou negar sentimentos negativos não contribuem para a solução de nossos problemas – pelo contrário, podem até aumentá-los ou, no máximo, adiá-los! O que fazer, então, quando nos percebemos tomados por sentimentos negativos de desconforto, medo, frustração, decepção, inadequação?
Os sentimentos e as emoções são fenômenos poderosos, capazes de provocar a morte e de gerar vida. Eles surgem dentro de nós, conforme o significado que atribuímos à situação na qual nos encontramos. Quando alguém sorri em nossa direção, por exemplo, dependendo de quem seja esta pessoa, do lugar e do momento em que nos encontramos, do nosso estado, podemos interpretar este sorriso como uma atitude simpática (despertando em nós sentimentos positivos como aceitação, confiança, adequação) ou irônica (fazendo-nos sentir emoções negativas como inadequação, medo, raiva).
Apesar de não gostarmos de experimentar sentimentos negativos, é fato de que eles fazem parte de nossa vida, e por isso precisamos aprender a lidar com eles da melhor forma possível, tirando proveito deles para nos tornar-mos mais fortalecidos e maduros, ao invés de deixá-los nos enfraquecer. As emoções "negativas" podem nos servir a um propósito muito positivo: são sinais de que a mudança é necessária, de que, ao invés de evitá-la sou negá-las, devemos identificá-las e buscar neutralizá-las. O medo, por exemplo, sinaliza que precisamos nos preparar para algo, e se evitamos senti-lo e/ou o negamos, podemos nos encontrar em situações críticas.
Os sentimentos como poderosas ferramentas para provocar mudança
Afirmamos anteriormente que os sentimentos "negativos" são sinalizadores de que mudanças devem acontecer para que um novo estado de equilíbrio seja atingido. Mas como saber qual deve ser a direção desse movimento de transformação?
Segundo ROBBINS (1998), podemos classificar as emoções "negativas" em dez categorias – desconforto, medo, mágoa, raiva, frustração, decepção, culpa, inadequação, sobrecarga e solidão –, cada qual com uma mensagem diferente para nos transmitir.
O sentimento de desconforto nos indica que precisamos mudar de estado, esclarecer nossos objetivos e agir. O medo nos diz que precisamos nos preparar para algo ou evitar as consequências negativas de algo que está para acontecer. A mágoa aponta que temos uma expectativa que não foi alcançada, fazendo-nos sentir que perdemos algo. A raiva sinaliza que uma regra ou um valor importante que estabelecemos para nossa vida foi quebrado por outra pessoa ou por nós mesmos.
A frustração indica que precisamos mudar a abordagem que estamos utilizando para alcançar nossos objetivos, pois não estamos conseguindo alcançar nossas metas da forma como estamos tentando, e se insistirmos nessa forma atual de agir continuaremos obtendo os mesmos resultados. A decepção mostra que a expectativa que temos não será alcançada, a não ser que nós a mudemos, tornando-a mais adequada à situação que temos em mãos (pessoas envolvidas, tempo e circunstâncias). A culpa – ou o remorso – aponta que violamos um de nossos padrões e precisamos fazer algo para garantir que não iremos violá-lo novamente no futuro. O sentimento de inadequação nos diz que precisamos fazer algo para nos sentirmos melhor.
A sobrecarga sinaliza que precisamos reavaliar o que é mais importante para nós, diferenciando o que é essencial do não-essencial. A solidão revela que sentimos a necessidade de algum tipo de conexão com outros seres humanos (de amizade, de intimidade, sexual, alguém para conversar).
ROBBINS (1998) sugere que, a cada nova situação em que alguma dessas emoções aparecem, façamos um movimento para neutralizá-las. O primeiro passo deste processo é identificar o sinal, perceber que sentimentos estão vindo à tona e identificar a que categoria eles pertencem (O que estou sentindo é raiva ou frustração? Estou magoada ou decepcionada? Estou com raiva ou com medo?).
Em seguida, devemos dar importância à mensagem que o sentimento revela respeitar (se identifico, por exemplo, que estou decepcionada, posso começar a analisar qual era a minha expectativa, quais os resultados que já alcancei mas que não são satisfatórios, quem está envolvido, qual o contexto...). A terceira etapa é reavaliar nossas percepções e/ou nossos procedimentos, isto é, identificar se devemos alterar o significado que estamos atribuindo à situação (por exemplo, às vezes podemos nos sentir inadequados não porque estamos realmente agindo de forma incompatível com a situação, mas porque temos regras e critérios rígidos demais para avaliar as nossas próprias atitudes e comportamentos), ou se devemos rever a forma como comunicamos ao outro as nossas necessidades (posso, por exemplo, ficar com raiva porque fiz uma confidência a uma amiga, sem, porém, deixar explícito que eu precisava que ela mantivesse sigilo pois esperava que ela "soubesse" que era confidencial – isso poderia ter sido evitado se eu houvesse comunicado a ela e esclarecido as minhas "regras" a respeito de sigilo), ou reavaliar as nossas ações. A quarta etapa implica agir para conseguir o que se quer.
E onde entra o Projeto Não-Violência®?
Deparamo-nos, em nosso dia-a-dia, com situações em que nos vemos obrigados a fazer mudanças. Outras vezes, somos nós que, espontaneamente e intencionalmente, damos início a esse processo, provavelmente movidos por um desejo pelo novo e pelo desafio, pela busca de significado para a nossa existência, pela necessidade de crescimento e de reconhecimento, pelo desejo de independência.
A maior parte das mudanças não acontecem do dia para a noite; elas seguem um processo de pequenas e contínuas transformações que se integram as nossas experiências e aprendizagens anteriores. Muitas vezes, tendemos a experimentar uma sensação de mal-estar, que pode fazer com que sejamos mais resistentes no início. Contudo, essa mesma sensação de incômodo pode tornar-se um poderoso motor para as transformações.
Em relação ao fenômeno da violência, muitas mudanças ainda precisam ser feitas (e serão necessárias continuamente) para que a relação entre os indivíduos, os grupos, as instituições e os povos sejam mais pacíficas – mudanças na nossa forma de comunicar (e não esqueçamos que uma grande parcela da "boa comunicação" está vinculada ao "saber ouvir", e não apenas ao "saber falar"!); mudanças na maneira de percebermos e atribuirmos significados a nós mesmos e ao mundo ao nosso redor (e sermos capazes de aceitar e valorizar a diversidade de percepções); mudanças na nossa forma de entender a violência, suas causa, suas consequências e os fatores que a mantém (para que não corramos o risco de supergeneralizar o termo – incluindo na categoria algumas atitudes e ações, simplesmente porque não correspondem as nossas expectativas –, ou de satisfazermo-nos com explicações simplistas, ou de excluirmos atitudes e ações desta categoria porque já passaram a ser "aceitas"); mudanças na forma como lidamos com os conflitos cotidianos... e com a própria necessidade de mudança!
O trabalho desenvolvido pelo Projeto Não-Violência®, no Programa Grupos de Aprendizagem, tem como objetivo provocar e/ou fortalecer a necessidade de mudança na forma de perceber, comunicar e/ou agir de seus participantes – em relação a si mesmos, às crianças e adolescentes, aos colegas de trabalho, às pessoas de seu convívio, às causas dos problemas e às soluções possíveis – inspirada em valores de paz. Acreditamos no potencial dos indivíduos e dos grupos para provocar mudanças significativas no quadro atual da violência. E para isso, contamos com a responsabilidade de cada um para assumir que "o que determina quem seremos e como será nossa vida, não é unicamente o que aconteceu, mas principalmente o que fazemos com o que aconteceu" (ROBBINS, 1998).
